Peixes nas montanhas

Voando entre as nuvens
eu vi peixes nas montanhas.
Numa viagem pra dentro,
procurando entender meu momento,
buscando novos caminhos
já no entardecer da vida.

Já fiz tanto e parece tão pouco.
Tantos esforços e conquistas
ficaram no passado
que a cada dia mais distante,
parecem mais os contos
que ainda não escrevi.

Todos na memória.

Mas até quando guardarei estas lembranças? Quando elas começarão a desbotar?

Tudo isso me impulsiona a ir,
a seguir e fazer.
Uma urgência de viver.

Escrevo no trem, no avião.
Na pausa da vida onde cabe o ofício,
nas horas densas de reflexão.

A viagem para a consciência é a mais difícil.
É um espelho cruel
que mostra as rugas da vaidade,
os penteados das ideias mais loucas
e o sorriso que disfarça a dor.

Estar em outro lugar me revela.
Mostra meus instintos
e reações genuínas.
Tudo é novo e não tem repetição.

E o que eram os peixes nas montanhas?
Eram apenas as sombras
das próprias montanhas áridas da Espanha.

Mostrando que tudo é possível
quando nos dispomos a apenas ir
explorar o novo de corpo e alma.

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