Os ventos dessa vez trouxeram um sonho
Um começo.
O encontro daqueles que orbitaram os mesmos astros,
Que viveram no mesmo espaço.
Respiraram os mesmos ares
Ao mesmo tempo,
Mas não haviam se encontrado.
Precisou o tempo, com suas artimanhas,
E o vento, com suas sanhas,
Provocarem esse interlúdio, 30 anos depois,
Como dois fios que dão voltas na Terra
Que o acaso fez cruzarem-se
Pelos caminhos virtuais.
Os risos chegaram como sopros.
As noites eram passagens pelas esquinas da vida.
Conversas que a brisa ecoa ao longe.
Um sentido de urgência fazia o amor acontecer.
Uma tempestade que, antes de amanhecer,
Levanta a poeira dos pensamentos
Que se dissipam nas brumas da beira Rio
E faz sobrar o tempo no vento.
Na ventania que precede a calmaria,
Que assenta os desejos
E acalma a maré dos amores.
Um tufão altera o tempo,
Acelera a respiração dos amantes e a rotação da Terra,
Sacode os sentimentos e as vaidades.
E, quando assenta, os faz parar em outro lugar.
O que estava junto pousa distante.
Longe do coração.
O ar pesado vira um tornado.
Leva os ventos em ruas retas, sem esquinas.
Não viram à direita nem à esquerda.
Sempre retos.
Sempre em frente.
Mas agora em direções opostas.
