Café para Dois

Sentada,
olho ao longe pela janela.
O cheiro de café invade —
é um misto de força
e conforto.

Alguém se aproxima…
— Já quer pedir?
Me viro
e encontro um sorriso simpático.
Prontamente respondo:
Claro!
Café para dois, por favor.

A moça olha o lugar vazio à minha frente…
Estou ali há mais de quinze minutos…

Como quem duvida do que ouviu,
ela confirma:
— Para dois?
Sim, respondo.
Sempre.

Ela se afasta,
e cenas invadem minha mente:
namoro,
casamento,
filhos,
dias tensos,

dias felizes,

momentos marcantes…
outros esquecidos.
Tantas coisas…
Tantas.

Ela volta.
Ainda não convencida,
olha o lugar vazio
e sorri como quem pensa:
“Endoideceu…”

Coloca uma xícara à minha frente,
titubeia com a outra,
mãos quase errantes.

Olho por sobre o ombro dela e sorrio 
Recebo um sorriso lindo de volta.

—Desculpa, amor, me atrasei!


A moça se espanta.

— Ah, meu café…
Ele se inclina,
e me beija.

— Que bom que pediu para dois.

Olho para a moça,
ainda incrédula,
e com um certo ar travesso, respondo:
Para dois, sempre.

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