Zap

Antigamente, dizem, eram os escritores, a folha em branco e o escrever à mão.

Então, veio ela, a máquina de escrever, e os escritores passaram a sentar-se à mesa, graves, para redigir seus textos.

Depois, chegou o computador e lá vemos o escritor e a batida figura do sofredor em frente à outrora folha, agora tela, mas, sempre, o branco.

Um cursor que pisca.

O estereótipo do que é ser escritor.
O imaginário.

Que pensa no escritor no masculino.

Um homem.

Nunca uma mulher.

Embora existam tantas escritoras

Ainda que menos de uma dezena vencedora do Nobel.

O Nobel… um prêmio criado por quem ganhou a vida com a pólvora.

A Clarice… que redigia com a máquina de escrever no colo… Para ficar próxima dos filhos.

Inventei ou será verdade?

Eu, que hoje escrevo no aplicativo de mensagem.

Sem som.

De mim para mim mesma.

Perdendo tudo num toque errado.

Sem oportunidade de undo.

Única chance.

Contemporânea?

Fugaz…

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