Para você

Perguntei a você se poderia te escrever um texto. Em outros tempos, escreveria e ponto. Tenho estado mais tímida para essas coisas do coração. Tenho tentado ser precavida, me proteger. Mas é difícil, porque contraria minha essência ligeiramente perigosa. Fiquei então gestando as palavras em meu ventre-poeta. E senti medo do que poderia nascer. EscreverContinuar lendo “Para você”

Café para Dois

Sentada,olho ao longe pela janela.O cheiro de café invade —é um misto de forçae conforto. Alguém se aproxima…— Já quer pedir?Me viroe encontro um sorriso simpático.Prontamente respondo:Claro!Café para dois, por favor. A moça olha o lugar vazio à minha frente…Estou ali há mais de quinze minutos… Como quem duvida do que ouviu,ela confirma:— Para dois?Sim,Continuar lendo “Café para Dois”

Franco-brasileiro

As crianças na escola ao lado ensaiam a quadrilha.Não as vejo. Mas sei que estão lá. Pelo som.É quase junho.Não sei se faz sol ou chove.Minha confusão mental.A velocidade vertiginosa das exigências corporativas.Neste apartamento, o toque do Teams.Na escola, Gilberto Gil, Andar com Fé, gritos, palmasO comando da professora ao microfone“Ummmmmmmm”. As crianças entendem oContinuar lendo “Franco-brasileiro”

Deixe a correnteza levar

O sol empurrou para longe o aguaceiro do dia anterior. Mas eu sabia: aquele céu limpo era só um intervalo. Chuva de verão sempre volta. Enquanto me arrumava para levar a filha ao colégio, vesti o meu uniforme de carioca despreocupada: short jeans, blusa sem mangas e chinelos de dedos. A sombrinha dobrável foi umContinuar lendo “Deixe a correnteza levar”

Deixar ir

O amor deixou marcas em mimTatuagens desenhadas em mimComo as lembranças que você deixouNo fundo de minhas memóriasE que preciso deixar irPreciso deixar irSua presença pendurada naquela paredeE nos álbuns que colecionávamosTeu cheiro até mesmo na poeira da casaE em tudo que sonhávamos construirTudo isso que euPreciso deixar irAh, preciso deixar irPromessas quebradasE um porta-malasComContinuar lendo “Deixar ir”

Resposta a Rupi Kaur

Amar é fazer sentir-se segura? Aceite o meu amor,sou grata,e só. Não precisa retribuir,não precisa se esforçar,não precisa projetar nada Como uma promissóriadisfarçada de afeto. Essa pergunta  não pode ter resposta Não há garantiasalém do agora,do instante. Nem você pode construirseu castelocom a minha mão de obra. Posso deixar de te amarno próximo dia,ano,década,ou atéContinuar lendo “Resposta a Rupi Kaur”