Oito horas da noite em ponto. Toca a campainha do meu apartamento: 304. Meu coração bate acelerado. Sei que é você.
Corro até a porta e vejo seu rosto pelo olho mágico. Inquieto e curioso, parece olhar para mim do lado de dentro.
Recuo assustada.
Uma mistura de sensações toma conta de mim no que parece ser uma eternidade, mas provavelmente é um milésimo de segundo. Ansiedade, medo, desejo, adrenalina. Tudo junto, ao mesmo tempo.
Nos conhecemos há pouco mais de um mês e tivemos dois rápidos encontros. Você precisou viajar para visitar a família e ficou algum tempo longe.
Tentei contato contigo algumas vezes, mas as respostas foram monossilábicas.
Fiquei frustrada. Saí com outros.
Mas dentro do meu coração, um nome ecoava. O seu.
E de noite perdida em sonhos, lembrava-me de cada parte de seu rosto.
Até que fiquei sabendo de seu retorno e não resisti: te chamei.
O que, para minha surpresa, gerou uma conversa e a marcação de um novo encontro.
A campainha toca outra vez. Não dá tempo para ficar relembrando nosso curto passado. O presente está atrás da porta e tem nome: Marcelo.
