Era uma casa muito…

Certamente você não sabe

 na minha casa habitam cinco sapos que cricrilam

dezenove porcos que relincham,

três vagalumes que conversam em inglês e um quarto que só sabe espanhol,

duas periquitas que constroem pontes,

nove crianças-bolinhas descendo colinas.

Na floresta, é o lobo que tem medo de chapeuzinho

linguiça é feita de abobrinha. Imagina fazer linguiça de berinjela?! Jamais!

Na minha casa, uma música toca

tum tum tum pararatibum

a gente dança, fazendo rodopios de mãos dadas

agitando o corpo no ritmo da onda do mar.

Na minha casa os habitantes podem morar por muitos anos

ou serem despejados sem aviso prévio.

Ninguém quer um intruso sem graça!

Ora, se chegou, se aprume e conte uma piada!

ha ha ha! hi hi hi!

Veja que ele já passou. Ele mesmo, esse seu amigo.

Passa rápido e leva os habitantes da minha casa-cidadela-habitada.

Vai-te embora, cretino!

E leva essa piada ruim pra longe daqui.

Certamente, você não sabe

Na minha casa não tem porta nem janela

Nem sacada, nem mansarda

Alpendre para a rede, peitoril para debruçar

A minha casa vai para onde eu quero

E onde você estiver, podemos nos encontrar nela

Meu endereço não consta em nenhuma música rimada

A minha casa não é engraçada,

ou talvez,

talvez,

talvez

seja

Sabe onde ela fica?

Que bom, porque eu não vou contar!

Publicado por Elaine Resende

Elaine Resende é arquiteta, doutora em engenharia civil e escritora. Contribui nos blogs Sabático Literário, Coletivo Escreviventes, Escritor Brasileiro e Mulherio das Letras Ceará. Autora dos livros A Professora da Lua e a Princesa Dourada e o Mandacaru Mágico, ficou em segundo lugar estadual no prêmio Talentos APCEF e participou de diversas antologias. Seu perfil no Instagram @cria.elaineresende traz resenhas de livros e filmes, alguns textos e pensamentos. No canal do YT @Lendodetudoumpouco discute literatura. É carioca e vive com o marido, dois filhos e seus cães Apolo e Byron.

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