Serenata de amor

Ontem o motorista do uber me disse, durante o caminho, que sua mãe o subornava com serenatas de amor quando ele era criança.

E me lembrei que minha irmã guardava embalagens do bombom na sua agenda. Devia ser de alguém especial, até hoje não sei. O mistério parece mais interessante.

E do serenata de amor que enfim ganhei do meu primeiro namoradinho, quando chegou minha vez.

E daquele que esperei tanto, mas nunca recebi…

E me lembrei também do serenata de amor que dividi com meu atual namorado na saída do mercado na última semana.

E do quanto minha melhor amiga adorava comer um desses bombons quando estava de tpm.

Achei engenhoso a mãe do motorista usar o “recurso” para ludibriar o filho de fazer bagunças. Se para cada pirraça a minha me dessem um serenata, haja glicose!

E naquela conversa dentro do carro, quase me vi voltando no tempo, para um passado talvez mais romântico, com serenatas e sem cerimônia para amar. (Ou seria apenas uma idealização minha?)

E pensei por fim em quantas vezes um bombom, um simples chocolate ao leite, pode ser sinal de afeto tão grande e ao mesmo tempo tão fugaz.

(Assim como serenatas de amor, que não fazemos mais, mas que permanecem vivas em nossos corações melancólicos)

Publicado por Carol Pessôa

Jornalista, escritora e atriz. Autora dos livros À Beira da Vida, Salto para o Desconhecido, Amor e outras Histórias: contos para aquecer o coração, A Cápsula e Meu Canto.

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