Lição de amor

Vários amigos me disseram que eu precisava ter um gato. “São bichinhos super carinhosos”, “Vão te fazer muita companhia”, “Não dão trabalho nenhum”.
Essa e outras mensagens de incentivo eram ditas a exaustão. E eu continuava reclamando de solidão, mas sem fazer nada para que isso mudasse.
Até que um dia, depois de ficar uma semana de cama, com alguma virose qualquer e sem ninguém para ajudar (só quem mora sozinho sabe), eu acordei decidida: adotaria meu gato!
Comecei a procurar pela Internet instituições para adotar. Fuxica aqui, fuxica ali, e eis que esbarrei com: Branquinha! Sim, era esse o original nome da gata branca que eu amei à primeira vista. Uma mistura de coelho com Mingau da Magali, sei lá.
Passada uma entrevista e alguns dias de espera, ela chegou: minha filha! De cara eu a adorei e fiz brincadeiras, tirei fotos, e dei todo o tipo de besteiras para comer (sim, sou dessas). Mas o que eu menos esperava, aconteceu: a gatinha não se adaptou à minha casa.
Passava dias isolada num cômodo, não se alimentava e não interagia. Desesperada, chamei uma veterinária do tipo top, que atende em casa, na linha comportamental. Uma psiquiatra de gatos (sim, isso existe).
Feito os exames, ela me informou que Branquinha não tinha nada físico, apenas ansiedade por não estar se adaptando a moradia. E recomendou fluoxetina para a felina.
Mas nada dela se adaptar. Nada… Os dias passavam, passavam, e a situação parecia cada vez mais difícil.
Decidi então, depois de muito pensar e bem chateada, devolvê-la. Afinal, não poderia aprisionar comigo alguém que sofria.


((Parece triste né? Mas com Branquinha aprendi uma importante lição, que vai ficar pra vida toda: Amar, nem sempre é estar junto)

** Esse texto foi selecionado na Off Flip 2024, categoria Poesia.

Publicado por Carol Pessôa

Jornalista, escritora e atriz. Autora dos livros À Beira da Vida, Salto para o Desconhecido, Amor e outras Histórias: contos para aquecer o coração, A Cápsula e Meu Canto.

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