Selva

O percurso é longo

Felizmente

A poeira da estrada e as nuvens vaporizadas bailam

despreocupadas

Pelas veredas, vou me perdendo

E me encontrando

No oásis dos sonhos conquistados

Descanso o corpo calejado

Que resiste e me serve, abnegado

Sem quase nada cobrar

Na ânsia de olhar para a frente

Não pauso sobre a rocha forte edificada

Nem usufruo do pouso seguro

A pressa me toma de assalto

E me leva para um lugar estranho

No esconderijo da folhagem hostil que me enlaçou

Na selva, me camuflo

E não se sabe o que é selva e o que sou eu

A correnteza me conduz e me abandona em seu leito

Me devolve, resoluta, o turbilhão que não é dela

É meu

Recorro às armas que me são caras

E que me acompanham, vigilantes e gentis

Me perdoam por tê-las esquecido enquanto corria

E se oferecem generosamente

Gratas e mansas

Levantam-me, secam-me e me transmutam de volta

Não mais em selva

Não mais em ilusão

Preparam-me para desfrutar o caminho

Contemplar o que precisa ser visto

Me nutro e retomo

Pés nus sobre relva macia

Corpo presente, alma desperta

É onde quero chegar

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