Neruda

“É a manhã cheia de tempestade
no coração do verão.
Como lenços brancos de adeus viajam as nuvens
que o vento sacode com viageiras mãos.
Inumerável coração do vento
pulsando sobre o nosso silêncio apaixonado.”

                                                     (Pablo Neruda)


estava a observar
aquele sebo
entre usados
e novos
folheio páginas
elas exalam
memórias
dos livros
personifica notável
intrigo-me
no silêncio
cabelo desleixado
seboso
de pele pálida
olhos cansados
em mim
a febre de verões
não há trocas
ou diálogos
apenas desejo
oculto
dias sobrepõe
esse eu lírico
paradoxal
refaço caminho
conto passos
me aproximo
de toda poesia
ofegante disfarço
curiosa
reparo gestos
me perco signos
acordo sonho
ouço voz
ofertando gentileza
ressignifico Platão
apressada
escolho miudezas
por sugestão
a geometria
e lirismo português
esqueço nome
aquele Neruda
e o adeus

Publicado por mahellepereira

atriz. professora. artista. universo em desalinho. nau que toca o leme. moinho. entre morte e vida sou gerúndio.

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