Eu Caminho, a Vida Corre

Estou sentada à varanda do verão da minha vida.
O som dos coqueiros me lembra a chuva que bate na janela, pau de chuva, canto indígena.
É ele que me confunde e corro para ver se a roupa no varal vai molhar.
As cadeiras estão ali, pra se namorar enquanto a gente espia a vida passar.
É assim minha casa, que tem cheiro de maresia, som de chuva e vento que é brisa.

Tá vendo a menina passar? É a menina que leva o cachorro, é a gente que leva a vida. 
É a vida que passa, embalada no ritmo da onda que quebra na praia da noite clara.

Eu continuo sentada, enquanto posso, enquanto passa.
Mas essa chuva que não vem pra me molhar me tira do lugar.
Me põe em marcha. 
Eu caminho, a vida corre.

De pé observo o outono chegar, folhas vermelhas de amendoeira, “árvore-de-guarda” me diz Drummond.
Os primeiros fios brancos do tempo se apresentam, a lua é minguante.

Varanda abandonada agora é sala aconchegada.

Minha casa tem cheiro de cedro, canela, especiaria. Vento frio assobia.
A chuva finalmente cai, não tem susto: a roupa está guardada.

Crédito de Imagem: Foto por Pixabay em Pexels.com

Publicado por Elaine Resende

Elaine Resende é arquiteta, doutora em engenharia civil e escritora. Contribui nos blogs Sabático Literário, Coletivo Escreviventes, Escritor Brasileiro e Mulherio das Letras Ceará. Autora dos livros A Professora da Lua e a Princesa Dourada e o Mandacaru Mágico, ficou em segundo lugar estadual no prêmio Talentos APCEF e participou de diversas antologias. Seu perfil no Instagram @cria.elaineresende traz resenhas de livros e filmes, alguns textos e pensamentos. No canal do YT @Lendodetudoumpouco discute literatura. É carioca e vive com o marido, dois filhos e seus cães Apolo e Byron.

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