Amor é um só. É possível amar mais de uma vez? Paixão é diferente de amor?
Prometi pra mim mesmo(a) que nunca mais vou me apaixonar.
Ah! Quantas dúvidas nos assolam quando o assunto é relacionamento amoroso.
Não se iludam que, como psicanalista, eu tenha todas as respostas. Muito pelo contrário, talvez eu não tenha nenhuma resposta, mas alguns pontos podemos discutir e refletir sobre, na intenção de aliviar corações angustiados.
Vamos por etapas.
Amor é um só?
Não.
É possível amar mais de uma vez?
Claro!
Paixão é diferente de amor?
A paixão deve estar contida no amor. O contrário, nem sempre.
É comum sentir desejo por outra pessoa, mesmo estando comprometido(a)?
Sim. A diferença é se você resolve levar adiante, ou não.
Muitos de nós já ouvimos falar que só se ama uma vez, que desejar outra pessoa é pecado, que paixão passa…blá blá blá…
Em primeiro lugar, estar com uma pessoa é opção e não obrigação. Como seres desejantes e faltantes que somos, sabemos que, mesmo inconscientemente, ao fazer uma opção estamos deixando de lado bilhões de outras possibilidades.
Sinta-se privilegiado(a) quando alguém disser que te ama, que te escolheu. Tenho certeza de que não foi uma escolha fácil, diante de tantas possibilidades.
Ao dizer: eu te amo, quero estar contigo, sinto saudade, você é importante pra mim; temos implícitas escolhas, análises, sentimentos, abdicações, antigas paixões, possíveis amores.
O fato de escolher alguém para estar do nosso lado, caminhar junto, ser nossa opção neste mundo repleto de possibilidades não impede que desejemos outros corpos, outras vidas, outros modos de viver. O que importa são os combinados, o que acordamos com o outro, o que é aceitável dentro de um relacionamento e o que optamos fazer quando o desejo por outra pessoa surge.
Neste momento, precisamos ter maturidade, jogar limpo, falar a verdade. Mentira, falsidade, traição é sinal de imaturidade, falta de autoconhecimento, insegurança, traumas e, principalmente, falta de responsabilidade afetiva.
O que é isso?
Responsabilidade afetiva é oferecer ao outro apenas aquilo que você pode cumprir, é dizer a verdade, é respeitar o que foi combinado entre ambos.
Outro ponto é que não controlamos quando vamos nos apaixonar ou não. Não é uma escolha, acontece. Podemos até negar, sublimar, recalcar, mas estará dentro de nós e se manifestará mais cedo ou mais tarde.
Então, gente, amamos mais de uma vez, amamos mais de uma pessoa ao mesmo tempo, na paixão não precisa haver amor – o contrário não é verdadeiro – estar com alguém é uma escolha e isso não impede que desejemos outros corpos.
Acalma teu coração, escolhe alguém que te faz bem, tenha responsabilidade afetiva e viva feliz enquanto durar.
Parece simples e é simples. Nomeie teus sentimentos. A partir daí um mundo se descortina e, muitas vezes, aquilo que pensamos que é deixa de ser.
Estou sempre aqui se precisar.
Um abraço!
Cláudia Nagau

Professora Cláudia, muita gente esquece aquela frase de Saint-Exupéry: “Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas”. Alguns flertam com a outra pessoa até não poderem mais e depois a jogam no lixo, como se seu coração de nada valesse. Hipócritas!
CurtirCurtir
Amei o texto e todas as respostas que ele traz. Combinado não sai caro! Rsrs
Bjusss
CurtirCurtir
Claudia, seu texto é de utilidade pública! Tantas pessoas por aí são infelizes por não conseguirem lidar com seus relacionamentos e parceiros. Como você mesma disse, parece tão simples e é! A gente é que tem dificuldade de nomear o que sente, ser sincero com nossos sentimentos e com o outro. Obrigada pelo texto!
CurtirCurtir