Valete

Saudades de você, meu valete

Saudades de ter a sua atenção só para mim

De acreditar que podia por um instante, quem sabe, dar certo

Seu português impecável

Seu bom gosto

Um homem que vai ao teatro, gente

Uma pessoa que ouve Chico Buarque

Que vai a museus

Quanta raridade

Mas você não era para mim

Eu já sabia, a gente sempre sabe

Gastei à toa os 50 reais da consulta do tarot para ouvir o que eu não queria escutar

Aqui não existe nada, nada

Só o etéreo e o desejo

Em alguns momentos, achei que você tinha se aberto para mim

Me enganei?

Eu sei ler as pessoas como ninguém.

Ao menos, eu sempre achei que sabia. Talvez eu tenha desaprendido.

Talvez esse meu superpoder não funcione com você.

Ou eu mesma não queira de fato ver o deserto do real à minha frente.

No momento, acho que você brinca comigo.

Tal qual um gato brinca com sua presa.

Valetes são imaturos.

Um dia do nada você reaparecerá? Ou acabou de vez?

No início, a cada nova mensagem no celular, uma esperança.

Agora, já vejo a matrix: o código por trás de tudo

Sei que não vou correr atrás de você, valete.

A essa hora, você está fazendo o mesmo jogo com outra.

E depois com outra.

E outra.

E outra.

Será que você cansará em alguma hora?

“Só quando for muito tarde”.

Já é muito tarde.

Guardo meu baralho.

Adeus, valete.

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