“Os movimentos de uma pessoa são uma espécie de identidade que a caracterizam como um ser único no Universo”, diz Ju Marconato, bailarina de dança do ventre, criadora do método Dançacura, em seu livro, cujo subtítulo é: transformação pessoal através do movimento.
Pratico dança do ventre desde 2018 e dança contemporânea desde 2022, por recomendação da minha terapeuta na época: “Nicole, você é muito mental. Procure uma atividade que mexa com o corpo, algum tipo de dança, vai te ajudar a lidar melhor com as emoções”. Ela tinha razão.
E olha que sempre gostei de cantar e dançar, mas tem prazeres que a gente perde com as obrigações da vida adulta. Nunca é tarde para recuperá-los. Então, descobri que havia aulas de dança do ventre perto da minha casa. É uma das danças mais difíceis do mundo – que bom que eu gosto de um desafio rs
No início, me prendia muito à técnica. Porque era algo que eu poderia treinar e tentar dominar. A professora me alertava, a mim e às colegas, sobre a importância da entrega. Isso também exige treino e prática, de um jeito um pouco diferente porque a entrega está atrelada à emoção. Como você “sente” uma música influencia na sua “leitura”, na sua interpretação.
A dança contemporânea, mais livre, também me ajudou a me soltar. Hoje eu danço na sala da casa, nos palcos e, claro, na varanda rs (referência ao meu livro, Dançando na Varanda). Já me apresentei várias vezes com o meu grupo, mas somente ano passado tomei coragem para criar um solo (na verdade, dois, um para cada tipo de dança).
O yoga, a dança e a literatura me salvam todos os dias. Me salvam da mesmice da rotina, dos fantasmas que atormentam minha mente, dos problemas reais e imaginários e, principalmente, de mim mesma, pra que eu me renove, aprenda a cair e me levantar, com um sorriso no rosto, como se o erro fosse parte da coreografia.
Além de tudo, meus grupos de dança são grupos de apoio, parcerias importantes, laços valiosos. Sou muito grata às Elmas e ao Corpo Presente. Que nunca nos falte a arte, a imaginação e a dança, na sala ou no salão, com ou sem holofotes, sempre em liberdade.
