Pedacinhos inteiros

Muito se fala de que em nós habita o céu e o inferno e sob ele nossas mazelas e superações. Mas essa pintura é ilusão para nos dar a falsa promessa de que temos o controle do descontrole anunciado.

Não somos parte A e B. Somos fragmentos colados por amor, intenções, promessas e esperança. Quando atingidos, perdemos pedaços e caminhamos assim, às vezes de lado, às vezes cobrindo o que falta, nos escondendo na sombra do outro ou olhando vorazmente para tudo o que habita fora.

A questão é como vamos chegar do outro lado, quando tivermos que chegar. A dádiva reside em deixar se surpreender por você mesmo. Estranhar-se para ter a sua atenção. Tirar a caneta do escritor e escrever a sua versão da história. E, em um dia qualquer, quando se olhar no relógio impiedoso do tempo dizer: ei, sou eu aqui, na inteireza dos meu pedacinhos.

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