Retrovisor
Tenho olhado muito pelo retrovisor.
Esquecendo o que há à frente?
“São fases”, penso.
As coisas passaram, mas ainda continuo de olho nelas.
Ou no que restou delas.
Em parte, pelas circunstâncias. É quase uma necessidade estar a par.
Afinal, não há carros ou motos sem retrovisor, não é mesmo?
É, eles são fundamentais – mas não são totalmente confiáveis.
Por isso, agora temos as câmeras para ajudar os motoristas nas manobras.
Câmeras e sinais sonoros.
Bip, bip, biiiiiip.
“Assim vai bater”, alertam, estridentes, a quem guia os veículos mais modernos.
Não estou dirigindo um carro, mas sei:
Assim vou bater.
O olhar para o retrovisor tem que ser rápido. À velocidade, não se pode perder grande tempo de olho no espelho sob grande risco de capotar.
Não quero capotar.
Só quero mesmo seguir em frente.
