Coração em regime semi-aberto

Quando eu estava conhecendo meu ex, ele me mandou uma mensagem com músicas que gostava. Um dia, nos encontramos e ele me perguntou se eu havia recebido a mensagem. Eu disse que sim. “E você não pensou em responder falando dos seus gostos?”. “Ah…”. Essa sou eu flertando. Perco o timing, me distraio, disfarço os sentimentos. Uma verdadeira catástrofe.

Estou assistindo à série Atypical, protagonizada por um jovem neurodivergente que resolve se abrir para um relacionamento romântico. Confesso que me identifico com o Sam, não pelas questões específicas do autismo, mas pela inabilidade de flertar. Em uma cena, uma garota passa por ele no corredor, na escola, e elogia a sua blusa. Ele agradece e vai embora, deixando-a na expectativa de uma conversa mais longa. Lembrei da situação com o meu ex. Será que existe um tipo de autismo restrito ao campo amoroso? rs

Porque, nas amizades, tudo parece fluir bem (para mim). Na maior parte das vezes, sei reconhecer quando há reciprocidade, se vale a pena manter alguém por perto ou não. No entanto, quando se trata de amor… Posso interpretar um simples “oi” como uma declaração ou perder sinais importantes de demonstração de interesse.

Não vou entrar aqui nos meus traumas do passado ou na idealização romântica. Passo longos períodos solteira e fico muito bem, investindo em outras áreas da minha vida. Mas às vezes bate aquela vontade de me abrir e conhecer novas pessoas, e não sei muito bem o que fazer ou se minhas ações estão sendo coerentes com o meu desejo.

A verdade é que talvez ninguém saiba exatamente como agir nessas situações. Acho que a gente vai descobrindo no caminho. E tá tudo bem. A incerteza dá medo, mas possibilita a descoberta.

Nota mental: se alguém interessante me mandar uma mensagem interessada juro que vou me esforçar pra responder (ou quem sabe eu mesma não dê o passo inicial? – haja terapia).

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