Me lembrei de você, mas sem saudade

Acordei de manhã cedo, fui procurar uma música no Spotify. Ouvir Home, do New West. Mas quando coloquei o H apareceu a sugestão de Hotel California. Cliquei. Imediatamente fiquei conectada com o nosso passado. Você adorava essa música e sempre cantava.

Já escrevi sobre isso em outro conto.

Lembrei do que vivemos juntos, das nossas viagens, passeios, do nosso dia a dia. Ficamos tanto tempo juntos que já nem sei mais.

Mas também me lembrei das nossas dificuldades.

De quando fomos ao shopping e você me fez passar uma grande vergonha, porque eu comprei um óculos caro com o meu dinheiro. Você dizia que meus gastos eram irresponsáveis, mas no fundo tinha inveja por minha situação financeira ser melhor que a sua.

Me lembrei dos nossos desentendimentos e da sua incurável teimosia.

Hoje, depois de anos de terapia, percebo que eu xis da questão foi que eu me sentia tolhida ao seu lado.

Tanto que após a separação, comecei a me expressar, me expressar, me expressar…

E me tornei realmente quem eu sou: escritora, poeta e uma jornalista de verdade.

Mas percebo que não foi culpa de ninguém. Éramos muito jovens, éramos imaturos.

Precisei me libertar dessa relação para conseguir ser eu mesma. Mas ela foi importante para mim.

Guardei nossas fotos em respeito ao que aconteceu.

Não sei se teria sentido rasgar tudo e jogar no lixo.

Me lembro de você. Me lembro de você até hoje.

Mas sem saudade.

Publicado por Carol Pessôa

Jornalista, escritora e atriz. Autora dos livros À Beira da Vida, Salto para o Desconhecido, Amor e outras Histórias: contos para aquecer o coração, A Cápsula e Meu Canto.

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