Lembro que quando era jovem, ainda criança, sempre tive vontade de me comunicar. Uma coisa dentro de mim que me revirava por dentro. Queria expressar minhas ideias para o mundo e contribuir para ele. Queria me singularizar de alguma forma.
Era como se algo me comesse por dentro.
Comecei então a fazer teatro. E cresceu em mim o sonho de ser atriz. Uma vez escrevi assim: “Interpretar é como gerar”. Era isso que eu queria. Eu queria gerar algo.
Algo criativo e profundo.
Mas alguma coisa faltava. Porque no teatro, apesar de me expressar, não era algo meu, e sim, de outro. Que eu acrescentava características minhas, mas não era meu.
Comecei no jornalismo.
E era muito bom. É muito bom.
Mas ainda assim não sou eu. É uma pauta, uma ideia de terceiros, uma linha editorial.
Uma empresa.
Tempos depois, enfim, embarquei na literatura. Embarquei na literatura e me descobri.
E uni um pouco de tudo, meu lado atriz e jornalista. Meu lado escritora, meu lado aprendiz. Meu lado psicóloga. Meu lado filósofa.
E acima de tudo, o que eu sempre quis.
Sou artista!
