Um grupo de homens sem idade
brincava próximo à praia
quando encontrou aquele artefato.
Não faziam a menor ideia do que se tratava.
A princípio, ficaram distantes —
com medo mesmo de se aproximarem.
Parecia frágil e singelo, mas...
algo não estava certo.
Decidiram chamar o ancião para opinar.
Chegando mais perto,
o ancião ficou paralisado.
— Nossa... há quantos anos não ouvia,
nem via nada parecido...
Um dos homens se aproximou e perguntou:
— Isso é perigoso?
Ao que o ancião respondeu, pausadamente:
— Muito...
Espanto entre todos.
Outro homem, inquieto, perguntou:
— Mas ele é capaz de matar? De ferir?
O que essa coisa faz?
O ancião virou-se e disse:
— Essa coisa pode prender sem amarras,
frustrar sem promessas,
cegar sem vendas,
matar sem desferir um único golpe...
Mas também pode representar sonhos,
esperança
e felicidade —
na mesma vida
e para a mesma pessoa.
Silêncio se fez presente novamente.
Até que um dos homens,
com a voz embargada, perguntou:
— Mas como pode ter essa simples coisa
tanto poder?
O ancião abaixou os olhos e disse:
— Todas as vezes que projetamos no outro
toda a responsabilidade da nossa imperfeição...
somos caçadores e caça,
santos e demônios.
Depende de quem olha.
Depende de quem vê.
Então os homens agradeceram
e foram embora,
sem mais perguntas —
deixando a coisa ali.