Você tinha cabelos esvoaçantes e gostava de sorrir quando as gotas da chuva escorregavam em seu corpo. Você que me acenava de longe com suas florzinhas saltitantes. Que no sol a pino brilhava como prata nova, mas que ao entardecer se banhava com o laranja do fim do dia.
Você que deitava cedo na pele escura da noite e ao primeiro sinal da luz matutina já estava desperta. Seus sons me acalmavam e me conectavam com o semblante divino do Amor. Daquele que é o Amor.
Você que nutria amizades invisíveis e silenciosas, mas tão intensas. Que viajava o mundo com seus mistérios. Que espalhava sua essência para transformar quem estava perto ou distante. Pura generosidade herdada de quem a criou.
Eles a levaram. Deveras precocemente. Eu ainda tinha tanto a admirar. Tanto a aprender. Tanto a contemplar. Mas você se foi…
