Do Retorno ao Lar Supremo 

Não é o fulgor do sol que guia,

nem o clarão argênteo da lua que ilumina,

nem tampouco o ardor do fogo que consola —

mas sim o chamado do Inefável,

que ressoa nas dobras silenciosas do coração:

“Retorna.”

Os sendos terrenos fatigam a alma,

as veredas pedregosas maceram os pés;

mas há uma morada onde a dor não penetra,

onde o tempo se dissolve em eternidade,

onde o espírito repousa em beatitude inexaurível.

Nesse domínio não há regresso,

porque não há exílio.

Não há sombra,

porque não há esquecimento.

Ali subsiste apenas o fulgor do Ser,

presença que é amor,

amor que é presença.

Bem-aventurado é aquele

que ouve a convocação sagrada

e se entrega ao invisível absoluto.

Pois, ao adentrar a morada suprema,

reencontra o próprio âmago,

reencontra o Eterno,

reencontra o Lar primordial.

E então se revela o Mistério:

voltar para casa

é jamais tornar a perder-se.

Publicado por claudianagau

Filha, mãe, professora, psicanalista. Apaixonada pela vida, pelos amanheceres, pela lua, por livros, café, charuto e cachimbo. De riso fácil e amiga sincera. Direta até demais. Amante das histórias de mulheres e sobre mulheres e tudo que fale da mulher selvagem, da ancestralidade, do inconsciente coletivo.

Deixe um comentário