Não é o fulgor do sol que guia,
nem o clarão argênteo da lua que ilumina,
nem tampouco o ardor do fogo que consola —
mas sim o chamado do Inefável,
que ressoa nas dobras silenciosas do coração:
“Retorna.”
Os sendos terrenos fatigam a alma,
as veredas pedregosas maceram os pés;
mas há uma morada onde a dor não penetra,
onde o tempo se dissolve em eternidade,
onde o espírito repousa em beatitude inexaurível.
Nesse domínio não há regresso,
porque não há exílio.
Não há sombra,
porque não há esquecimento.
Ali subsiste apenas o fulgor do Ser,
presença que é amor,
amor que é presença.
Bem-aventurado é aquele
que ouve a convocação sagrada
e se entrega ao invisível absoluto.
Pois, ao adentrar a morada suprema,
reencontra o próprio âmago,
reencontra o Eterno,
reencontra o Lar primordial.
E então se revela o Mistério:
voltar para casa
é jamais tornar a perder-se.
