Irremediavelmente apaixonada

Foram apenas três encontros. Naquele curto período de férias que consegui tirar em minha cidade natal, no interior do estado.

Nesse breve intervalo nos reencontramos. E relembramos nosso passado, refletimos sobre nosso presente… e filosofamos sobre nosso futuro.

Deitada na grama verde do seu jardim, pensei que aqueles dias eram o que havia de melhor no mundo.

E me peguei novamente apaixonada por você, irremediavelmente apaixonada por você, que era o que de melhor eu guardava da minha infância.

Me lembrava sempre de quando éramos crianças, de seu sorriso cativante, de nossas brincadeiras na porta da escola. E de como crescemos juntos. Eu de óculos e você de aparelho. Eu de livros, e você de discman.

E de quando nos separamos, no começo do segundo grau.

Daquela garota loira estúpida que um dia me disseram que era sua namorada.

E de meus sonhos de menina desmoronando com um castelo de areia.

Eu tinha medo dela deitada na grama do seu jardim, olhando para as estrelas, e recebendo seu abraço.

Mal poderia imaginar que quase 30 anos depois, tudo isso seria meu.

Estranho seria se eu não me apaixonasse por você, como na música de Nando Reis.

Irremediavelmente apaixonada por você…

Mas mais estranho ainda seria se toda aquela fantasia fosse realmente real.

Como nos contos de cinderela, ou nas mais belas festas de 15 anos, tudo acabou depois do terceiro encontro. Foi feliz, mas fugaz.

Me espantei quando fiquei sabendo que você já tinha um compromisso, um filho, e toda uma vida. Mas surpresa ainda fiquei com meu próprio espanto. Afinal, pensava eu que você ficaria me esperando?

E pensar que eu esperei.

Esperei por aqueles momentos por tanto tempo em minha vida, e mais uma vez te perdi por desencontros…

[Ah, estranho é (ainda) gostar tanto do seu all star azul. Que combina com o meu preto, de cano alto. Sempre combinará].

Publicado por Carol Pessôa

Jornalista, escritora e atriz. Autora dos livros À Beira da Vida, Salto para o Desconhecido, Amor e outras Histórias: contos para aquecer o coração, A Cápsula e Meu Canto.

Deixe um comentário