Quero escrever tudo errado.
Ser hoje dadaísta.
E amanhã também.
Para horror dos que me olham do alto
Achando que eu não sei
Quando, na verdade, não me importo
Já que tamanho cuidado é mero disfarce de exercício de poder vazio.
Improdutivo.
Elitista.
Segregador.
Velho.
Já escrevia em 1925 (!), Oswald de Andrade:
Pronominais
Dê-me um cigarro
Diz a gramática
Do professor e do aluno
E do mulato sabido
Mas o bom negro e o bom branco
Da Nação Brasileira
Dizem todos os dias
Deixa disso camarada
Me dá um cigarro.
1925!!!
Há cem anos.
Direto do túnel do tempo.
Eu, que sempre me orgulhei do meu bom português
Na boa, tô mais com a juventude
que escreve tudo em minúsculas
Estão livres
A juventude…
Q td abrevia
Estão livres
A juventude, com seu dialeto próprio
Livres
Que os obsessivos compulsivos do português se roam
Abro espaço pro erro proposital
Autoral
