Pântano

Um pântano viscoso permeado de armadilhas em espiral, que rodopiam incessantemente. Dança traiçoeira seduz e sorrateiramente envolve com seus ágeis tentáculos, até que seja impossível escapar desse embalo perturbador.

Lá o sol aparece de forma tímida, somente quando é insistentemente invocado. E sua aparição efêmera praticamente não interfere na composição daquele estado. As bússolas não funcionam. Na há aonde ir.

Sinos simbilam em um cadenciamento desconsertante. Ecoam velhas vozes escondidas que se agarram com suas mãos pegajosas. Dor latejante. Dor complexa. Gargalha sem pudor. Sem um fio de misericórdia. Atordoa, maltrata, cala.

Ah! Aguilhão afiado. O olhar se perdeu. Caiu. Submergiu. Medos semeados brotam trazendo silêncio e cinzas. Tão petulantes riem um riso febril, entorpecedor. Tecem teias invisíveis e traiçoeiras.

Um lamento antigo vagueia trôpego sem destino certo. Solitário, chora contido. Chora cabisbaixo, ansiando por um novo destino, por uma metamorfose.

É bem certo que as estações sempre mudam. Poderá um dia o pântano ser transmutado.

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