É por amor

É por amor que você acorda de madrugada para preparar a merenda do seu filho na escola, ou o almoço no trabalho.

É por amor que você fica em um emprego ruim de salário ou benefícios, mas que te preenche no seu sentido de bem-estar social.

É por amor que você perdoa alguém que agrediu uma pessoa que você ama. Afinal, o agressor pode ser uma pessoa também importante pra você, nessas incoerências da vida.

É por amor que você busca um ente querido na cadeia, mesmo que saiba que ele é culpado.

É por amor que você empresta dinheiro, mesmo inseguro.

É por amor que você se rasga, se entrega, se arrisca. E quando se dá conta, está no IML segurando a mão de alguém que está com medo e você acha que pode ajudar, mas na primeira oportunidade que tiver, vai te despedaçar sem dó.

É por amor que nos dedicamos às pessoas, nos entregamos a elas, damos sucessivos votos de confiança, mesmo sabendo que em algum momento elas vão nos decepcionar.

É por amor que damos passos inseguros, mas tentamos recomeçar a vida a dois, mesmo depois de vários traumas.

É por amor que atravessamos vários cansativos quilômetros, para estar perto de nossos familiares.

E se é por amor, por amor mesmo, vale à pena, vale à luta, vale o risco, vale a alma.

Mesmo que não consigamos enxergar. Que dê raiva do outro. Ou até de si mesmo.

Não existe amor sem entrega. E entrega, ah, a entrega…

Ela é sempre incerta, e por tantas vezes, ingrata.

Tenha consciência, tenha paciência.

A vida é inexata.

(Jamais se arrependa do amor que você deu. Ele não foi só ao outro, ele foi por você, tentando ser um bom sujeito)

Publicado por Carol Pessôa

Jornalista, escritora e atriz. Autora dos livros À Beira da Vida, Salto para o Desconhecido, Amor e outras Histórias: contos para aquecer o coração, A Cápsula e Meu Canto.

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