Memória

Jogar todas aquelas coisas fora foi como uma despedida a conta gotas. Tinha de tudo naquele quartinho, desde roupas velhas e fotos até documentos pessoais e um telefone antigo.

Era com dor que fazia aquilo, mas precisava, pois se mudaria para um apartamento muito menor. Não dava mesmo para levar tudo.

Sabia que sua querida avó, onde quer que estivesse, não o culparia pela decisão.

Que o mais importante era guardar na memória a lembrança dos momentos bons que passaram juntos.

E que não foram poucos…

Terminou de juntar tudo e se despediu das caixas.

Uma despedida dolorosa, mas infinitamente menor que perdê-la. Ela que foi seu grande amor, sua maior referência.

(Verdadeiros amores permanecem, para além do tempo e do desgaste de objetos e pequenas paixões, perdidos na imensidão de nossos passageiros pesares)

Publicado por Carol Pessôa

Jornalista, escritora e atriz. Autora dos livros À Beira da Vida, Salto para o Desconhecido, Amor e outras Histórias: contos para aquecer o coração, A Cápsula e Meu Canto.

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