Terça à noite

Que dor, que solidão!

Há quanto tempo não me sentia assim?

Hoje minh’alma tá doendo

Tá sangrando

Tá difícil

Uma distância

Um não caber

Um não pertencer

Doendo por não me achar digna

Dilacerando não me ver merecedora

Me colocando abaixo do pódio

Para aquém do último lugar

Doendo o querer e não poder

Querer gritar e não ter voz

Escrever e nada ser suficiente pra me traduzir

O estar e não parecer

Tá doendo ser invisível

Será que esse negócio de realização não é pra mim?

Será que ser cuidada não estava no meu manual de instruções?

Não acredito que precisarei me contentar com o céu que pinto

Mas ainda acredito ser feliz num infinito que ainda nem vislumbrei

Se eu estiver errada e tiver que me contentar com a pontinha azul do céu pela fresta da janela

Tira do meu peito o condor, ele merece além das minhas migalhas

E me contente com lápis e folha de papel…

Publicado por claudianagau

Filha, mãe, professora, psicanalista. Apaixonada pela vida, pelos amanheceres, pela lua, por livros, café, charuto e cachimbo. De riso fácil e amiga sincera. Direta até demais. Amante das histórias de mulheres e sobre mulheres e tudo que fale da mulher selvagem, da ancestralidade, do inconsciente coletivo.

Deixe um comentário