Que dor, que solidão!
Há quanto tempo não me sentia assim?
Hoje minh’alma tá doendo
Tá sangrando
Tá difícil
Uma distância
Um não caber
Um não pertencer
Doendo por não me achar digna
Dilacerando não me ver merecedora
Me colocando abaixo do pódio
Para aquém do último lugar
Doendo o querer e não poder
Querer gritar e não ter voz
Escrever e nada ser suficiente pra me traduzir
O estar e não parecer
Tá doendo ser invisível
Será que esse negócio de realização não é pra mim?
Será que ser cuidada não estava no meu manual de instruções?
Não acredito que precisarei me contentar com o céu que pinto
Mas ainda acredito ser feliz num infinito que ainda nem vislumbrei
Se eu estiver errada e tiver que me contentar com a pontinha azul do céu pela fresta da janela
Tira do meu peito o condor, ele merece além das minhas migalhas
E me contente com lápis e folha de papel…
