Preciso de um tempo. Para escrever devagar. Sentir a força e a leveza dos segundos que escorrem pelos meus dedos. E respirar fundo.
Olhar para a vida com detalhes. Tocar superfícies ásperas e sentir gostos adocicados. Apreciar cada instante.
O tempo que mora em versos. Que mora em sons. Quem mora na terra e na água.
Um tempo para contato com a natureza.
Para dormir e acordar sem pressa. Para viver um amor sem desespero. E para provar novos gostos, experimentar paladares.
Um tempo para a família. Para viagens, e para aprender coisas novas. Ou ler um livro nunca acabado.
Um espaço livre de pressão, de apreensão, e de medo.
Quem sabe, um momento de rebeldia, ou de nostalgia até.
Uns instantes para chorar.
Relembrar o passado, ou planejar o futuro.
Saltar de paraquedas. Ou dar umas braçadas em mar aberto.
Fazer tudo aquilo que sempre quis. Realizar sonhos.
Ou um tempo, até mesmo, para não fazer nada.
Preciso deste tempo.
E ele urge. Me cobra loucamente que pare, até para que não enlouqueça.
Preciso de um tempo, acima de tudo, para mim. Um tempo, sem prazo, sem laço, sem tempo, sem fim.
