Trepadeiras brotam
da minha cabeça.
Uma vasta cabeleira
esverdeada que se espalha
por todo chão e toma
a nudez desprotegida
do meu corpo
sem critérios.
Lá fora ouço os carros,
mas dentro de mim
só existe o murmúrio
de águas, de pedras rolando
do farfalhar de árvores.
Dos meus poros saem
terra vermelha.
Dos meus olhos voam
borboletas amarelas.
Da minha boca piam
pássaros de todas as cores.
Eu num canto
observando o ruído da cidade,
seu movimento escandaloso
quase indecente.
Eu florestando.
Infestando tudo ao
meu redor
com essa natureza
que me toma.
Com esse musgo
que me abraça e
conforta.
Talvez seja um
chamado,
e eu siga sem
entender bem
os sinais.
Controvérsia verde
na cidade grande.
